O homem dos meus sonhos É aquele de quem nunca serei O homem dos sonhos dele Sou o que quiseres Desdobravelmente mis No desejo de só satisfazer-te Estou a gosto Escravo, amo,
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Mostrando postagens de 2017
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Tinha que ser mesmo aquele dia. Não parecia um dia especial, mas que se há de fazer, quando tem que acontecer é assim, mesmo que não haja prenúncios, mesmo se o dia não parece diferente ou estranho, tudo depois revisto parece ter confluído naquele fato. Acordou à hora de sempre, a mesma sem vontade para Desconhecia a existência de Falstaff,
O começo
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I - peço desculpas. - o que foi? - desculpa. Esbarrei em você na piscina. - ah sem problemas. Aquelas raias são mesmo estreitas. II Eram fins da tarde. Após a aula iam homens e mulheres aos respectivos vestiários começo aula de natação o promotor III - desculpe-me. - não há problema, acontece mesmo - foi de propósito. IV Medo de água, medo de altura. Caldo Longe e perto do mar V Só um: ver à frente o homem nadando peito, VI Movimentos na cama de nado. VII O pendor voyeur VIII O promotor contra o pai. Retirada da aula. Continua em outras partes: o homem de pau grande, os irmãos, as piscinas 25-50 IX É estranho. No seu corpo eu leio tudo aquilo que sempre desejei e nunca pude decifrar. Na sua pele, das dobras das suas partes descubro o que sou, o que quero, aquilo que me prende, que me afeiçoa que me coloca sob perigo de tanto querer e querer mais e mais.
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Resolvi um poema - Mas como se a poesia não está para matemáticas? Foi a lógica das distrações A disciplina da displicência A eficácia dos despropósitos. A equação Da completa irresolutibilidade dos sentimentos, Da arbitrariedade das relações significante-significado, A mesma que rege os verdadeiros encontros de amor.
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Hoje o dia não valeu a pena. Despertei com aquele sentimento recoberto de névoa densa e escura, de tempo sem vento. Dediquei-me todo o dia a fabricar novas formas de inventar a morte; nada fiz ou realizei de que pudesse contar como um feito. A alma apequenada rondou por lugares de luz artificial e contínua a se perder a noção do tempo, tornando-o um todo sempre presente. Na fila do supermercado examinei os pacotes: denunciavam o tudo tão supérfluo e adiável diante da urgência em que deveria viver. Hoje inventaram novas formas de fabricar a morte.
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Porque sinto em mim o mesmo desejo impulso que teve o primeiro homem que abandonou as tarefas da sobreviver para as da existência, talhou a pedra pintou o muro pela primeira vez e como ele faltam-me recursos, talvez tenha hesitado muitas vezes na falta da palavra, do movimento, da matéria prima mas se estava estrangulado por dentro, abafado por vieses interiores terríveis que o afastavam dessa vida de osso e carne e colocava-o diante do assombro, as reminiscências da morte tantas vezes testemunhada, não sabe não pode não consegue ligar os pontos, as sílabas, não sossega entretanto sente o desassossego dentro de si. Essa palavra condenada. Sinto que é preciso parar, deixar à parte o fluxo incessante do mundo para voltar às minhas próprias experiências e refleti-las dizê-las reinventa-las. Estou farto de ser um simples expectador da vida que enceno. Quero aumentar minha participação nessa autoria. Dediquei-me a estudar e conhecer diferentes coisas, o que não me faz autoridade em nada,...
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Era a morte ao reves, era a faca o fio o corte lento da corda tesa, sonhei que sonhavas comigo me dedicavas ternas palavras de amor, eu dormia eu estava já morto, uma sombra cobria a parte do meu rosto que descobriste, era antes mesmo do meu nascimento e eu sonhava com ela depois da minha morte, era seu luto que eu visitava consternado mais por ti que por mim. Estava distante, não podias alcançar-me. Do mesmo modo que a vida, inatingível nesta mesma presença, eu caminhava por uma senda escura, inteiramente só, enquanto me espreitavas do parapeito ao alto a prescrustar-me os passos e já era eu a equilibrar-me sobre o arame, a plateia em pleno aplaudir cada salto, eu a divisar seu rosto na multidão na trajetória da queda. No mesmo salto já não era eu e tu já não estavas, havia um silêncio, logo surgia uma ave lenta, já não era um pássaro, mas uma seda que pousava no chão de onde saías em movimentos de odalisca, girando um sabre prateado reluzente em cujo reflexo me vi como da primeira ...
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Parece triste, um galho tenro mas sem vida, não tive tempo a descobrir... entregaste-te ao passo do que eu necessitava em minha falta, faltava o mistério, faltava o calor de um mistério. Estavas todo ali entregue mesmo antes de um passo que não desse, mas se via nos gestos, nos atrasos da fala, no vestir-se na disponilidade, no desvestir-se que a falta de calor em mim tornava diplomática, quase institucional. Havia o trabalho, as vestes suadas de escritório, a boa educação que nunca soube um riso que não fosse forçado, que fico claro, eu nunca soube como segundar.
Kiwi
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Na minha infância comiam-se bananas, laranjas, abacaxis. Em seu tempo, as outras frutas, mangas, eugenias, jabuticabas e goiabas. Os caquis enchiam de doçura os abris, que duravam mais de um mês quando se prolongavam em caixas dispostos à meia-dúzia. Uvas e pêras havia amiúde nas feiras, mas eram quase um luxo, reservado aos fins de semana. Morangos, uma extravagância rara nos invernos. As maçãs lembram febres, que delas me davam o direito da polpa servida raspada em colheradas de afeto materno. Não existiam kiwis. De um momento para o outro foi descoberta a fruta da pele áspera prendedora de línguas, da carne elíptica verde ácida de beleza plástica, de lascas fatias dispostas em leque em torno do centro bege e doce, a crepitar sementes nos incisivos em pontos negros de girino amontoados. Não sei ao certo quando apareceram, mas causa-me estranheza a naturalidade com que foram deixando de ser uma novidade exótica em belos arranjos. Fazem parte do cotidiano e ora se exibem opacos lado a...
A Ana C. e Caio F. Abreu
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Vejo vossos rostos, tão jovens! A glória de morrer antes do fim. Antes que o passar dos anos conforme a falta de inspiração, a repetição. Não entendo como pudestes me desvendar enquanto minha alma ainda germinava. Fui nutrido do húmus em que vos transformastes, talvez isso explique alguma coisa, porque sou traduzido nas vossas palavras, do mesmo modo como quis ser um personagem do teu texto numa peça que assisti por tua causa. Ou porque meu nome reproduz a mesma história da vossa tragédia, do desenlace final, no temor de despencar de meu próprio nome que carregais e de que caístes. Ad infinitum. Dessa pedra que rola cor de rosa morro abaixo e me arrasta. Ad eternum. Ou porque meu personagem viveu vossa vida algumas vezes, no desespero do desejo e do proibido que é chaga do perigo que aproxima o prazer e a morte. Sinto-me condenado à eternidade da qual vos livrastes, e acorrentado àquela que vos consagrou, agente passivo nunca ativo de uma existência fictícia que não é a que almejei.
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Sim, deve estar achando tudo muito natural, faz tempo que você passou a defender tudo o que me destrói, passou a destruir tudo o um objetivava o nosso esforço de nos unir e compreender, não sei descrever o seco na minha garganta quando me você me exibiu a moldura da xilogravura que te dei, coberta por um desses painéis reproduzidos aos milhares nas reprografias das lojas de galerias. Nossa família acabou morrendo antes do fim. Já não existe apesar de estarmos ainda todos vivos. O quanto lutamos contra a morte, o pouco que lutamos contra a distância e o esquecimento.
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Sou discreto em minhas intenções, por isso preciso confessar-me às vezes. Católico por convicção, repito o credo duvidando e não me dobro aos dogmas que não me convencem. Sou convencido por natureza da insondável do mistério. Creio no milagre da vida, mas fascina-me ainda o mistério da morte. Devo dizer porque vim aqui. Há motivos evidentes e óbvios que não me dão ganas de explicar. Prefiro os absurdos e inconfessáveis. É uma terra de poetas e imaginei que o mesmo caldo que o produzia podia requentar-se em mim. destruir a coerência da minha história quem só quer desafiar o contrariar as previsões
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Eu nem sabia da grandeza de josé regio quando visitei Portalegre. Sentia-a de imediato ao ler a toada de versos repetitivos como a natureza e a própria vida. Aquela cidade, rendia-se toda àqueles versos, que transformaram-na desde que foram lidos. A moça do café, a dama da loja, o aldeão que passou com as calças para dentro das meias. Todos representavam o papel que as casas pintadas de branco, as... , o subir e descer colinas lhes constrangia.
Equívoco em janeiro
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No começo, no início de tudo. Depois da embriaguez da primeira vez, que não foi o começo. Quando os planos começaram a tomar algum contorno. Aquele lugar, seus sobrados aristocráticos eram promessas. Consultei no mapa e estava próximo o nome Penha de França. Aquelas ruelas que ali afluíam sugeriam uma tranquilidade de aldeia. Casas baixas, vizinhos conhecidos, idosas com sacolas de feira, passeios estreitos e jardins. Haveria de ser ali.