Posso ser o próximo A tombar no asfalto A rachar o crânio E ser coberto Com um lençol branco Cercado de curiosidade Inconsciente. Posso ser o próximo A cair numa cilada A ter a arma apontada Contra o peito Suplicando patético A quem não tem Misericórdia. Posso ser o próximo A ficar preso nas ferragens, A apanhar da polícia A ser apunhalado, A ter um membro amputado. A cortar os pulsos A sangrar, a tomar veneno, a ter câncer, a viciar em heroína, a respirar fumaça. Posso ser deportado Matar uma mulher Ter que provar inocência Ser arrastado pela corrente Ficar desaparecido Querer desparecer Ser o próximo A perder a razão. Dirão que é obra do acaso Que eu previra tragédia Quiça a busquei. Dirão tudo o que quiserem Mas serão só mais um Quando for sua vez Só mais um Em algum momento. É só O que Se é.