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Mostrando postagens de outubro, 2012

Deserção

Estava desavisado Enquanto saias sem alarde Deixando em mim Ainda esse sobressalto Quando alguém bate à porta.
Quero voltar. Poderia dizer que é mais que isso, que é preciso; que preciso voltar. Porque persistem muitos mistérios e tenho que voltar sem intenções, simplesmente caminhar pelas ruas, descobrir-me sozinho, porque aí está meu conforto, assim é o meu caminho.
Faça-me acreditar que o amor existe e que está ao alcance de quem quer que seja. Eu queria poder falar de outras coisas: da vida dos insetos, da seiva das árvores, Mas só me interessa o que se leva dentro.

ANÔNIMO

Posso ser o próximo A tombar no asfalto A rachar o crânio E ser coberto Com um lençol branco Cercado de curiosidade Inconsciente. Posso ser o próximo A cair numa cilada A ter a arma apontada Contra o peito Suplicando patético A quem não tem Misericórdia. Posso ser o próximo A ficar preso nas ferragens, A apanhar da polícia A ser apunhalado, A ter um membro amputado. A cortar os pulsos A sangrar, a tomar veneno, a ter câncer, a viciar em heroína, a respirar fumaça. Posso ser deportado Matar uma mulher Ter que provar inocência Ser arrastado pela corrente Ficar desaparecido Querer desparecer Ser o próximo A perder a razão. Dirão que é obra do acaso Que eu previra tragédia Quiça a busquei. Dirão tudo o que quiserem Mas serão só mais um Quando for sua vez Só mais um Em algum momento. É só O que Se é.
O susto quer me matar de tanto mundo.
O que é mais triste? Um amor que se acaba ou o que não chega a ser? A constatação de que o amor não salva; ou pelo contrário, perder-se?

GRITOS NA MADRUGADA

Gritos de horror na madrugada Este sou eu. Desperto em sobressalto Com o grito que não sei se é meu Da janela para fora Os homens em desespero Pavor na calada da noite Almas em desconserto Aqui dentro não há calma Só clamores que não se houve.