crônicas de mudança
Há quatro meses cheguei a Lisboa e pouco pude dizer sobre tudo o que se passou desde então. Lembro-me de uma frase que repetia para mim mesmo nos primeiros dias, no quarto de hotel. Quis anotar, sabendo que logo me esqueceria, o que realmente aconteceu. Daquela frase não ficou nada de sua força, somente seu sentido: ela afirmava minha obrigação de ser feliz aqui. Existe certa curiosidade a respeito da minha mudança. Talvez por ela ser meio inusitada, especialmente para quem me conhece minha condição de sempre ter cumprido o que o destino parecia me haver determinado. Ou elas não conhecem os desvios que sempre houve deste caminho, ou sabem que realmente não sou dado ao comodismo com a infelicidade que, entretanto, sempre encontra forma de realizar-se em mim. Seja em amores desencontrados, seja numa busca quase incessante, seja nessa sensação de que o melhor nunca é o que vivo mas o que poderia viver. Há algum tempo sentia-me profundamente insatisfeito, sem curiosidade ou vontades que ...