40 em Lisboa
Um dia fui o homem mais solitário de uma cidade. Quis provar a liberdade absoluta de desprender-me de tudo, experimentar o retorno confortável ao que sempre fui. Deixar os desvios, os lugares, as pessoas que me fixavam em uma imagem do que eu pude ser. mas recusava. Tentar um recomeço a partir de um nada impossível, que eu procurava realizar. Procurava realizar mesmo o impossível: a minha perpétua condição de estrangeiro e deslocado. Um desafio de novamente estar aberto e poder redescobrir aletrias que haviam se tornado banais. Tentar que existisse saudade quando já não sentia falta de nada, tentar retornar às necessidades quando só me guiavam vontades. Aguçar os sentimentos e querer algo além de estar diante de mim. hoje sou o homem mais solitário dessa cidade O burburinho e o estrondo Havia uma banda de rock na porta de um hotel Um homem de Timor Leste que me perguntou em mal português aonde ficava serta boate gay A chuva que trouxe a satisfação imediata e inesperada Um mexica...