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Mostrando postagens de agosto, 2015
Você foi o último suspiro das ilusões que eu poderia criar. Depois que passou, não restou mais nada, como um vendaval, uma grande tragédia sobre o espírito, não há por onde recomeçar, não há por onde reconstruir. Passei toda a vida a esvaziar-me de todas as ilusões, em busca de uma felicidade que fosse pura essência, que fosse completamente genuína, mas não se pode ser feliz sem enganar-se, essa é a grande verdade da vida. A essência é ser frágil e transitório, desse material é que somos feitos e não há como escapar. Eu tentei escapar, tentei que minha vida fosse diferente, era crítico com o modo de vida das pessoas, me encastelei, atirei ao pó tudo o que construí e que me soava falso, artificial. Daqui do castelo assisto a festa dos plebeus que sabem viver. Eu não aprendi. Quis ser só, quis aproveitar ao máximo meu tempo para buscar conhecimento, para saber desviar-me das armadilhas enquanto eu as montava para mim mesmo.
Trato as palavras como um jardineiro. Antes de tudo, preparo o terreno em que elas brotarão. Mexo e revolvo, deixo descansar, adubo com.. lanço as sementes. Podo cuido das ervas das pragas A semear em mim sentimentos em um mundo de aridez interminável. Não encontro a terra fértil do semeador, mas um coração sufocado por pedras e ferido pelos espinhos, cujo broto é fruto de pesado labor contra o exaspero do cotidiano. Que haja no mundo flores, vida, germinação.