Postagens

Mostrando postagens de 2014

Sonho 29-12-14o

Acabara de receber a terceira medalha olímpica e retornava ao colégio glorioso. Uma das modalidades era salto em altura de costas, outra era uma ginástica sincronizada sobre um banco, em par com uma virtuose do esporte, que me fez duvidar sobre meu mérito. Eram duas medalhas de prata e uma de bronze, que tilintavam no meu peito. Quando escutei o primeiro grito de euforia vindo de uma aluna Kenia de dentro de uma sala de aula, guardei as medalhas no bolso da calça. Logo, estava sentado com 3 mulheres de um grupo musical sendo entrevistado por alguém que supôs que eu fazia ou faria parte do grupo, o que pressenti como uma oportunidade e me adiantei para responder uma pergunta usando a terceira pessoa do plural, 'estamos pesquisando novos compositores'. Depois eu saia de uma cabine enquanto o show acontecia, havia um homem jovem tocando com elas e me vi saindo as pressas com minhas irmãs e cunhados, que riram do meu medo de retirar o pequeno carro do espaço exíguo que ele ocupava ...

Relatos de infância fantástica

1) destino / Os dois caminhos na escola / A imagem dos dias,  segunda caju, a quinta uma carta com 7 de paus, sábado o scooby doo / Os bilhetes sem resposta / O judô, dispensado / o ator bacana com quem diziam ser parecido O choro trocado com o João Francisco (lá vai, pelo caminho) / O medo de ser o único desperto e os fusos / A bicicleta e o deficit/ Engolir o riso de prazer com notícias ruins  - emoção inútil se sozinho 2) família mãe preta / Pedia mamadeira / Emprestava a mãe verdadeira / A prima que batia indefeso Irmãs - repetir muitas vezes o nome e a existência da pessoa parecia uma mentira/ Marrom Medo de ver um demônio dentro do vaso sanitário ou através da janela da cozinha, no pomar do vizinho ou no quintal Amigos novos: Valter (o nome) e  Marquinhos (o problema da idade) 3) Os animais / Coelhos e Emília no Zé de paula / O avestruz na dona Rosário, me alcançando no colo Canário /Peixes /A tartaruga reclusa pescada A morte do cão 4) comida Irmão im...
Minha casa é o caos singelo.
A pior perda que eu poderia ter eu já tive. Esgotei todas as minhas metáforas. Não quero mais me furtar de goiabas. Num desses dias em que não se contém o choro Enquanto se caminha furtivamente pelas ruas

A invenção do amor

Você não teve capacidade sequer para arrumar um homem a quem você respeite.
Do amado, tornei-me o proscrito.
Lágrimas que descem como lava.

O clone

Seria a cópia aperfeicoada de mim, : uma nova chance. Eu o criaria sem os vícios da influência paterna que recebi, uma educação erudita. A correção dos desvios, a alimentação pautada nós últimos avanços da mais depurada ciência. O ser duplicado em glória.

Poesia sem palavras

Hoje libertei as frutas de um saco asfixiante Toda dor que sucede o momento dos fatos é execrável
de todos os temas humanos, o único sobre o que vale a pena nada, nunca dizer é o amor

Indùstria - produção em série de paixōes

Produzo paixões em ritmo industrial.Conheço a fórmula de provocá-la. A começar pela escolha das vítimas. A reprodução de todo o ritual envolvente para criar o encantamento com minha figura e transmitir uma promessa de ele roubou o papel que era o meu Me colocando exatamente no lugar Em que coloco os outros Meu amor é sincero

Poesia científica

Dados: números revelados Que só viram jogo Quando rolam
Quando você morrer Procurarão saber o quanto foi responsável pela própria morte Se andou onde não devia, se cometeu um deslize E, principalmente Se se entregou em demasia aos prazeres da vida Comeu ou bebeu em excesso Transou com qualquer um Acreditou na imortalidade Como se a morte não fosse uma realidade implacável Como se não existisse a fatalidade

MAL-ES-SE-C-RE-TO-S

Está decretada a nova ordem no mundo Somos todos poetas frustrados Romancistas incipientes Ensaístas equivocados Contistas medíocres Cronistas distraídos De nós mesmos Já não temos que agradar meio mundo Com presunções de ser alguém Eis que já temos o direito de sofrer e gozar em paz Todos somos coisa nenhuma
De vez em quando escrevo, para convencer a mim mesmo: estou vivo.

A verdade

Esse amor que diz que ama, mas que no fundo pouco se importa. Que se exibe em gestos de não se entregar, que desconhece a dor de amar, somente os seus prazeres. Uma oferta falsa, que não retribui a profundidade que faz supor. O amor que se converte facilmente em ódio aos que não o aceitam, não são pegos na trampa. A armadilha de que sou a vítima e o algoz.
O encontro marcado. De um lado da avenida ampla, o vejo me esperar. Não me vê. Essa condição completamente vulnerável dele
Amor, o desencontro. Vivo da esperança de sua volta. Minha necessidade de ver você é maior que a sua. Morta antes a vida do depois.
Um a um, eles aguardam a execução Cada um em sua vez Não se falam porque não têm voz O executor sou eu Amor equívoco, palavra que não foi Eu quis carregar uma poesia no corpo Marcada em minha pele para que apontassem que meu nome eram aquelas palavras que eu me chamo dor Amor como redenção Amor como rendição Perdido, estou

NO XADREZ

XADREZ (En las trampas que armo, soy yo el mismo que caigo) Capturado ao seu jogo E com estratégias patéticas Perdi uma a uma as peças E as poucas que agora me restam Cada movimento com que tento te cercar Colocam-me uma vez mais em xeque.
Quero ser seu mergulho no mar Surpresa, perigo e encanto

Mentiras, bobagens, absurdos

Sabe todas as mentiras que essas pessoas inventam? Essas bobagens que fazem, as ilusões em que acreditam Para se sentirem menos sós, menos infelizes, ter o que pensar? Descobri que a vida é isso Passa num grande improviso  Enquanto perdia meu tempo ensaiando O absurdo que me tocou Enquanto buscava entendimento

Mil, um milhão

Um livro de um só personagem, que dialoga com outros, que conhecemos através dele. (algo como o Pequeno Príncipe na velhice) Eu andaria ainda muito mais, não tenho pressa de chegar, mas, por favor, me diga: aonde isso vai me levar? Sim, um pouco de cansaço. Não estou acostumado a andar assim. Somente poderia mais, se me dissesse. É mais difícil ir quando não se sabe aonde vai chegar. Se eu cruzasse com alguém que me perguntasse por que ando por aqui, não saberia. Por isso, insisto. Já levei muitos comigo e sentir-me responsável pela vida de outros é algo que não suporto mais. Deixei-os seguir por onde fossem, levados por não sei mais o que. Gostaria que fosse mais fácil para eles, como para mim. É por isso que agora me vêem sozinho, e já não me reconhecem como aquele que fui e querem saber para onde vou. Não saber é o meu caminho, do qual não posso desviar-me. Se eu falasse em outra língua, você também me entenderia. Porque o que eu falo é assim, sem idioma. Isso que você e...