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Mostrando postagens de janeiro, 2013
pode dizer que estou certo de não duvidar.

A morte do cão

Os cães atropelados. Um deles com o corpo retorcido sobre o ventre esmagado em curva. Enquanto caminhava, não imaginava que um dia teria um cão. Aqueles corpos eram o horror, a imagem que até hoje permanece. A criança. Imagens que atropelam, palavras que se retorcem. Os homens enterram seus mortos, num apelo quase instintivo. Assim já faziam nossos primitivos antepassados. A morada fúnebre diz sobre a vida do morto, às vezes mais do que ele soube sobre si. Famílias querem os corpos. Se desaparecem, a morte segue sem lugar. Um vagar sem dignidade, um não foi. Aqueles cães. Não os chorei. Ficaram ali, vísceras confundidas com terra e asfalto, sem alma. Mas há que se enterrar os cães. Há que dar-lhes tanta dignidade? Meu cão viveu dois anos. Cativava-me ao ponto de senti-lo humano. Tive mais remorso por ele do que pelo amigo que ele mordeu. Não tinha raça, tinha um nome.Numa noite de inverno, já doente há três dias, vi compaixão nos seus olhos. Amanheceu morto. O corpo endur...
Não sou poeta. Nem não. Sou é nada.
Me diga quais são os que ficarão para a posteridade Nélida Piñon foi presidente da Academia Brasileira de Letras Mas nunca li nenhum livro dela, porque não sei ler portunhol.
Então é hora de ficar falando à toa. De debruçar sobre os balcões
Aqueles que louvam ao deus sem saber, eles serão também acusados, ou poupados da fúria do juízo final.