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Mostrando postagens de setembro, 2012
Essa música é simplesmente.
Já não preciso te ter para ser feliz com você.

Adoeci de mim mesmo

Ano novo

Notas frias em pedaços de vento disparadas sem qualquer sentimento como se houvesse sentimentos nas verdades fadiga das tardes horas de descanso já duram a vida repúdio ao não que insiste vontade da vida que já não cabe na permanência dos tempos espaços inviáveis de tempos em tempos refazer a vida não caibo mais em mim desejo o impossível, horizontes nos desejos dias melhores posso querer o que não creio esperanças ilusões de momentos depois de viver o que em mim coube quero o fim do mundo, o recomeço todos querem, sempre algo novo

A Lei do pai

Ele não entendia. Não concebia aquela dor: A morte do cão. Não vi nada Além das patas endurecidas Atrás da porta da cozinha. Chorava desolado. Lembro-me só do seu silêncio Ao lado do meu leito. Só depois soube do gesto heroico Ele o enterrou Dentro de um saco plástico, no campo. E lá fora um mundo De seres desterrados Sem compaixão.

Silenciar

Quando tudo o que eu teria era um grito Era viver a vida, só isso, e ele achava muito Seguir pensando que tantos têm seus motivos Ele não Quem o vê passar não imagina O seu problema algum. Todos os problemas do mundo eram seus E não havia como escapar. Há os que têm todos os motivos para ser infelizes E não são Outra vida, outro fim Outra vida, enfim. Basta fingir que é possível Deixar para trás Esquecer, ainda agora A próxima viagem Como seria a outra vida? O próximo destino. Mas há tempos ele não tem sossego É a página mal escrita, A leitura pela metade; Ele já não era todo. Deixou de ser quem era E não se fez outro. Seu corpo some daqui para baixo Ele não nota As ideias já não são suas Como ele, também não De ninguém. Observa a vida dos outros, Ele descrê. Crianças nascem, Ele desdenha. Painéis se multiplicam, Mas nenhum. Haveria ordem, uma maneira de recomeçar? Ele decide então morrer Até amanhã. Começar de novo De onde nunca parou.

CARTAS PARA SI

É da vida que se arranca a página Enviada a quem me destino Envio-lhe as partes de mim Sem qualquer resposta. Quiça me enviando nessas letras Poupo-me de despedaçar inteiro.
a gente sempre fica nesse campo sempre pisamos em ovos se já é difícil saber sobre nosso próprio desejo que dirá do desejo do outro vc vem me dizer que se perdeu que já não é isso precisa novamente encontrar-se enquanto eu estou perdido desde o primeiro dia em que te vi

Orixá

Ocorreu-me que minha realização, que eu poderia chamar artística, mas que é o próprio ápice da vida, ocorrerá na velhice, ou ao menos na meia-idade, que sempre foi, na verdade, minha idade real. A chegada do tempo marcará essa coincidência entre alma e corpo, e daí se dará o clímax que ainda não experimentei, a não ser esporadicamente. Obaluiyaê, um orixá que já nasce velho, filho da Terra Nanã; Que é refutado por causa de suas chagas e atirado ao mar, onde Yemanjá o acolhe e cria. Cobre o corpo com palhas para esconder as cicatrizes na sua pele; Adquire o dom de levar aos homens a doença e a cura, A transmutá-lo das situações de vida e em suas passagens evolutivas . Também conhecido como Omulu, é sincretizado com São Roque ou São Lázaro. Seu dia é a segunda-feira, e a comida, a pipoca. Orixá sem glamour, nada pop, mas que detém capacidades poderosas no mundo dos homens, como a de vingar-se secretamente.
Você me trouxe de volta ao chão Ao meu lugar que é a terra Aqui me sinto seguro Embora curta as novidades do ar e da água E às vezes o calor do fogo Por isso é tão difícil te deixar

No Xadrez

(En las trampas que armo, soy yo el mismo que caigo) Capturado ao seu jogo Em estratégias patéticas Fui perdendo uma a uma Com as poucas peças Que agora me restam Em cada movimento em que tento te cercar Fico um vez mais em xeque.

Biografia

Acreditava poder escrever uma biografia, algo completo, enciclopédico, total, como tudo que sempre busquei construir sob um intenso esforço. Era o tipo de saber em que sempre acreditei. Minha vida baseou-se numa compulsão a saber. Era uma criança que lia compulsivamente, até hoje tenho uma grande curiosidade e necessidade de preencher meu tempo com informações. Exaspera-me por exemplo, não saber o que ele pensa de mim, que quer de mim, que faz junto a mim. Mas diante do outro, com frequência, a posição em que me coloco é a de não saber. Havia na infância um certo compromisso com a inocência com relação ao saber sobre o sexo. Eu deveria fingir que não sabia, e aceitar o conhecimento que me era permitido, formal, asséptico, biológico. De repente dei-me conta que a única maneira possível é de não ser todo. Escrever sobre fragmentos da vida, sobre pequenas passagens que ganham às vezes algum relevo.
Na inconstância, permaneço. Eu tenho um sofrimento que é calado, O nome dele é Meu Pai. Outro que é estardalhaço, Que se chama Minha Mãe. Os dois são aflitivos. Um é inércia, o outro movimento; Um é constante, o outro muda todo o tempo; Um é permanência, o outro inconstância.

ALBOROTO

Alboroto Al hoz rojo El corazón Alboroto Albo rostro Mío Alboroto Algo roto Yo
Desde que me dei conta de que meu amor por você é uma espécie de vício, consegui reduzi-lo ao pó.
O que sou É isso me transborda E fala em meu lugar Fui arrasado e estou em frangalhos Como um vendaval Arrastou tudo e estou desabrigado E nem tenho por onde recomeçar