Biografia
Acreditava poder escrever uma biografia, algo completo, enciclopédico, total, como tudo que sempre busquei construir sob um intenso esforço. Era o tipo de saber em que sempre acreditei.
Minha vida baseou-se numa compulsão a saber. Era uma criança que lia compulsivamente, até hoje tenho uma grande curiosidade e necessidade de preencher meu tempo com informações.
Exaspera-me por exemplo, não saber o que ele pensa de mim, que quer de mim, que faz junto a mim.
Mas diante do outro, com frequência, a posição em que me coloco é a de não saber.
Havia na infância um certo compromisso com a inocência com relação ao saber sobre o sexo. Eu deveria fingir que não sabia, e aceitar o conhecimento que me era permitido, formal, asséptico, biológico.
De repente dei-me conta que a única maneira possível é de não ser todo. Escrever sobre fragmentos da vida, sobre pequenas passagens que ganham às vezes algum relevo.
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