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Mostrando postagens de 2013
Falar pelos cotovelos, tudo o que não se deve dizer, falar enquanto se faz o contrário do que se diz, até babar, até estourar meus pobres miolos, ela falava, me constrangia, contava meus fracassos, se vangloriava das minhas vitórias, meus míseros sucessos, nem sabia como conseguia ser tão fluente, uma frase emendada na outra, um assunto que puxava outro, vocês deviam dar mais descontos, ela aprendeu a pedir comigo, pobre de mim, dava valor demais ao dinheiro, que foi feito mesmo para gastar, se sente velho demais, quem me dera voltar a ter sua idade para poder me vestir de forma mais jovial; ela dizia isso com uma blusa decotada nas costas, com brilhos e fendas na borda do colo, enquanto levava outras blusas, foram quatro no total; não, não sou consumista, não compro por impulso, só o que eu preciso, e a moça sorria simpática.

Palavras que significam algo diferente do que realmente dizem

Errante
Não há o que entender. Pensem nisso como uma fatalidade, um acidente. Porque é mais ou menos assim. Não há motivos. Ao menos não é possível sabê-los. Não há fome, miséria ou abandono. Não há abuso ou escravidão. Nada mais do que costuma acontecer a qualquer um. Nada desabou. Eu sei o quanto tem custado manter tudo assim de pé. É nesse esforço que deixei de viver. Um morrer mesmo antes da morte. É como se a mim coubesse denunciar, com minha própria vida, a falta de sentido do mundo e testemunhar o triunfo da morte.
Se ela soubesse, não teria ido até lá. Tudo aconteceu a partir dali. De sua ida. Surpreendeu
Se eu soubesse que hoje estaria assim, eu não teria chegado até aqui.
A pessoa com quem eu mais quis fazer tudo para dar certo foi você. E o equívoco começou aí.
Sou um prisioneiro de espírito livre.

Meus fatos

1) Nada para mim é mais urgente que o amor 2) A vida é um grande improviso e perco muito tempo ensaiando 3) Não sei chegar diretamente à verdade. Tento, mas quase nunca acerto da primeira vez. 4) Perco muitas coisas, muitas desaparecem sem que eu me dê conta 5) A maior parte das coisas que sou e faço, não se parec em comigo, ou com quem eu queria ser 6) Quero fazer quase tudo e faço quase nada 7) O movimento incensante da vida me deixa tonto 8)  Frequentemente tenho a sensação de que estava mais preparado do que realmente estive, outras vezes, contudo, me surpreendo com do que fui capaz 9) Sei juntar palavras, mas não frases 10) Sou liberal no pensamento e careta no comportamento

DE MIN MAX IMAS

Sou um burocrata da vida. Não sinto o desespero de uma dor aguda, mas uma desesperança que mata aos poucos. Existe uma atração irresistível para a tristeza, a nostalgia e a morte. Num mundo onde ninguém está disposto a pagar o preço, desde cedo entreguei a minha face.
Tudo o que faço são em horas vagas, nas que não estou ocupado com viver.

AFORISMOS

O que faz um livro é o desejo de livrar-se. A melhor maneira de ser feliz é sendo. Ato falho, ato válido. Cada um ostenta o que acha que tem. O amor não cobra o que se paga.

Sonho dentro do sonho

Entro no consultório vazio do analista e adormeço no divã. Desperto quando ele entra e lhe conto o sonho que tive naquele curto espaço: eu via um mapa do RJ e achei que curioso que entre dois bairros as ruas mudassem de nome em sua continuidade. E que havia uma rua chamada Alegria. Ele disse que a conhecia e que numa de suas esquinas se vendia o "salgadinho" mais cobiçado do mundo, chamado Amor.
Adoro quando um recado já sabe para quem vai.

Eu quero assim: a felicidade sempre à espreita, para me pegar desprevenido.

Detesto geleira Eu gosto é de bandeira
Para mim nada é mais urgente do que o amor.

O Diário dos Sonhos

As palavras só servem para confundir

Clementina de Jesus no Armagedom

Eu não sei bem ao certo o que é o amor, mas se não estiver muito errado, acho que te amo.
pode dizer que estou certo de não duvidar.

A morte do cão

Os cães atropelados. Um deles com o corpo retorcido sobre o ventre esmagado em curva. Enquanto caminhava, não imaginava que um dia teria um cão. Aqueles corpos eram o horror, a imagem que até hoje permanece. A criança. Imagens que atropelam, palavras que se retorcem. Os homens enterram seus mortos, num apelo quase instintivo. Assim já faziam nossos primitivos antepassados. A morada fúnebre diz sobre a vida do morto, às vezes mais do que ele soube sobre si. Famílias querem os corpos. Se desaparecem, a morte segue sem lugar. Um vagar sem dignidade, um não foi. Aqueles cães. Não os chorei. Ficaram ali, vísceras confundidas com terra e asfalto, sem alma. Mas há que se enterrar os cães. Há que dar-lhes tanta dignidade? Meu cão viveu dois anos. Cativava-me ao ponto de senti-lo humano. Tive mais remorso por ele do que pelo amigo que ele mordeu. Não tinha raça, tinha um nome.Numa noite de inverno, já doente há três dias, vi compaixão nos seus olhos. Amanheceu morto. O corpo endur...
Não sou poeta. Nem não. Sou é nada.
Me diga quais são os que ficarão para a posteridade Nélida Piñon foi presidente da Academia Brasileira de Letras Mas nunca li nenhum livro dela, porque não sei ler portunhol.
Então é hora de ficar falando à toa. De debruçar sobre os balcões
Aqueles que louvam ao deus sem saber, eles serão também acusados, ou poupados da fúria do juízo final.