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Mostrando postagens de abril, 2012

ADÃO - O PRIMEIRO HOMEM

Até hoje não conheci a imperfeição. Desde o primeiro sopro, a Criação apresentou-se perfeita. Mas a mim, algo sempre faltou. Das obras do sopro divino, eu deveria ser o mais humano. Ele deixava tudo sempre muito claro, não havia segredos. Segredos são para os mortais. Todos têm ao menos um. O meu já contei. Acho que eles não perceberam.  A primeira vez que fui expulso do paraíso, andei errante, incrédulo, fomos resgatados por um ser sem rosto, que me cegava de tanta luz, que o tornava para mim uma sombra. Enquanto ele nos reconduzia, senti um gosto pisado de barro em minha boca. Não reconhecia naquele gesto nenhuma bondade. Ela chorava emocionada ao meu lado, comovida com tamanha misericórdia, para sempre grata, nunca mais haveria de pecar. Escutei que bastaria não repetir os mesmos erros, não dar ouvidos à serpente, que eu nunca mais vi. Em pouco tempo, notei novamente minha nudez.  Não foi necessário escutar ninguém.  Dei-me conta de não haveria saída e que teria...
Eu seria capaz de tolerar todos os seus defeitos Mas não o seu desamor E assim são minhas palavras medidas Que querem dizer quase No lugar de tudo A parte que me toca é sempre essa