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Mostrando postagens de fevereiro, 2017

O começo

I - peço desculpas. - o que foi? - desculpa. Esbarrei em você na piscina. - ah sem problemas. Aquelas raias são mesmo estreitas. II Eram fins da tarde. Após a aula iam homens e mulheres aos respectivos vestiários  começo aula de natação o promotor III - desculpe-me. -  não há problema, acontece mesmo - foi de propósito. IV Medo de água, medo de altura. Caldo Longe e perto do mar V Só um: ver à frente o homem nadando peito, VI Movimentos na cama de nado. VII O pendor voyeur VIII O promotor contra o pai. Retirada da aula. Continua em outras partes: o homem de pau grande, os irmãos, as piscinas 25-50 IX É estranho. No seu corpo eu leio tudo aquilo que sempre desejei e nunca pude decifrar. Na sua pele, das dobras das suas partes descubro o que sou, o que quero,  aquilo que me prende, que me afeiçoa que me coloca sob perigo de tanto querer e querer mais e mais.
Resolvi um poema - Mas como se a poesia não está para matemáticas? Foi a lógica das distrações A disciplina da displicência A eficácia dos despropósitos. A equação Da completa irresolutibilidade dos sentimentos, Da arbitrariedade das relações significante-significado, A mesma que rege os verdadeiros encontros de amor.
Hoje o dia não valeu a pena. Despertei com aquele sentimento recoberto de névoa densa e escura, de tempo sem vento. Dediquei-me todo o dia a fabricar novas formas de inventar a morte; nada fiz ou realizei de que pudesse contar como um feito. A alma apequenada rondou por lugares de luz artificial e contínua a se perder a noção do tempo, tornando-o um todo sempre presente. Na fila do supermercado examinei os pacotes: denunciavam o tudo tão supérfluo e adiável diante da urgência em que deveria viver. Hoje inventaram novas formas de fabricar a morte.