Você foi o último suspiro das ilusões que eu poderia criar. Depois que passou, não restou mais nada, como um vendaval, uma grande tragédia sobre o espírito, não há por onde recomeçar, não há por onde reconstruir.
Passei toda a vida a esvaziar-me de todas as ilusões, em busca de uma felicidade que fosse pura essência, que fosse completamente genuína, mas não se pode ser feliz sem enganar-se, essa é a grande verdade da vida. A essência é ser frágil e transitório, desse material é que somos feitos e não há como escapar. Eu tentei escapar, tentei que minha vida fosse diferente, era crítico com o modo de vida das pessoas, me encastelei, atirei ao pó tudo o que construí e que me soava falso, artificial. Daqui do castelo assisto a festa dos plebeus que sabem viver. Eu não aprendi. Quis ser só, quis aproveitar ao máximo meu tempo para buscar conhecimento, para saber desviar-me das armadilhas enquanto eu as montava para mim mesmo.
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