crônicas de mudança
Há quatro meses cheguei a Lisboa e pouco pude dizer sobre tudo o que se passou desde então. Lembro-me de uma frase que repetia para mim mesmo nos primeiros dias, no quarto de hotel. Quis anotar, sabendo que logo me esqueceria, o que realmente aconteceu. Daquela frase não ficou nada de sua força, somente seu sentido: ela afirmava minha obrigação de ser feliz aqui.
Existe certa curiosidade a respeito da minha mudança. Talvez por ela ser meio inusitada, especialmente para quem me conhece minha condição de sempre ter cumprido o que o destino parecia me haver determinado. Ou elas não conhecem os desvios que sempre houve deste caminho, ou sabem que realmente não sou dado ao comodismo com a infelicidade que, entretanto, sempre encontra forma de realizar-se em mim. Seja em amores desencontrados, seja numa busca quase incessante, seja nessa sensação de que o melhor nunca é o que vivo mas o que poderia viver.
Há algum tempo sentia-me profundamente insatisfeito, sem curiosidade ou vontades que alimentam as ilusões necessárias ao gosto de viver. Houve alguns fachos de esperança, como a passagem do Paulo, mas nada que me convencesse de que realmente era vantagem seguir a desventura da vida.
Ele talvez tenha contribuído com essa tomada de consciência da desgraça em que me encontrava e talvez isso explique como me agarrei e resisti firmemente à sua ausência para não perder-me naquela melancolia.
Tive noites de insônia, uma tristeza fria, sem sentimentos que era a pura monotonia. Haveria de retornar aquilo que alguma vez já me despertara alguma sensação, e por mais absurdo que possa parecer, era mais fácil fazer uma grande mudança do que fazer pequenas apostas.
Outro lugar. O privilégio de ser um lugar sonhado. Sonhado desde o primeiro encontro, que promoveu em mim uma espécie de alegria espontânea pelo simples fato de estar, de ver. Não antes. Tinha passado por Amsterdam e Berlim. Soaria melhor ter preferido as cidades frias e vanguardistas do Norte. Mas não. Houve algo ali que me deu um conforto inesperado. Um retorno a um passado não vivido mas que deixara marcas que ali recolhidas pulsavam numa alegria espontânea de reconhecimento no simples fato de estar, de ver, de praticar os verbos mais banais como existir. Havia naquele caos uma mescla com o singelo, que explodiu em mim numa satisfação sem igual.
A vida continua apesar da falta da gente.
Existe certa curiosidade a respeito da minha mudança. Talvez por ela ser meio inusitada, especialmente para quem me conhece minha condição de sempre ter cumprido o que o destino parecia me haver determinado. Ou elas não conhecem os desvios que sempre houve deste caminho, ou sabem que realmente não sou dado ao comodismo com a infelicidade que, entretanto, sempre encontra forma de realizar-se em mim. Seja em amores desencontrados, seja numa busca quase incessante, seja nessa sensação de que o melhor nunca é o que vivo mas o que poderia viver.
Há algum tempo sentia-me profundamente insatisfeito, sem curiosidade ou vontades que alimentam as ilusões necessárias ao gosto de viver. Houve alguns fachos de esperança, como a passagem do Paulo, mas nada que me convencesse de que realmente era vantagem seguir a desventura da vida.
Ele talvez tenha contribuído com essa tomada de consciência da desgraça em que me encontrava e talvez isso explique como me agarrei e resisti firmemente à sua ausência para não perder-me naquela melancolia.
Tive noites de insônia, uma tristeza fria, sem sentimentos que era a pura monotonia. Haveria de retornar aquilo que alguma vez já me despertara alguma sensação, e por mais absurdo que possa parecer, era mais fácil fazer uma grande mudança do que fazer pequenas apostas.
Outro lugar. O privilégio de ser um lugar sonhado. Sonhado desde o primeiro encontro, que promoveu em mim uma espécie de alegria espontânea pelo simples fato de estar, de ver. Não antes. Tinha passado por Amsterdam e Berlim. Soaria melhor ter preferido as cidades frias e vanguardistas do Norte. Mas não. Houve algo ali que me deu um conforto inesperado. Um retorno a um passado não vivido mas que deixara marcas que ali recolhidas pulsavam numa alegria espontânea de reconhecimento no simples fato de estar, de ver, de praticar os verbos mais banais como existir. Havia naquele caos uma mescla com o singelo, que explodiu em mim numa satisfação sem igual.
A vida continua apesar da falta da gente.
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