O anel
A última vez em que nos vimos, ele me perguntou o que significava aquele anel no meu anelar direito, "namorando?", e eu respondi "não, é só um anel". Foi um encontro frio, ao acaso, em que procurei manter-me distante, controlado para não dar-lhe o murro prometido a mim mesmo.
É o único anel que já usei. Foi durante uma viagem. Quis esse traço de alguma vaidade, eu que sou sempre tão básico e prático. Usar um anel. Demorei a encontrá-lo. Já havia passado por outras cidades, mas ali em Lisboa, o último é sempre mais esperado destino que me empenhei a encontrá-lo.
A busca
A compra
descrição
O medo de perdê-lo
Hoje sonhei que eu o perdia. Subia por um caminho íngreme, rolando-o entre os dedos, quando ele caiu da minha mão e rolou terra abaixo, passando por entre galhos secos à beira do caminho. Corri para alcançá-lo, temendo perdê-lo de vista. Quando finalmente o encontrei, ele estava amassado, o asfalto desgastara suas inscrições
Hoje, se o reencontrasse, despencaria em seus braços.
Hoje, se o reencontrasse, despencaria em seus braços.
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