Sonhos
I- Autos:
1) Dirijo sozinho em uma estrada escura e quase vazia. Ao desacelerar para passar um quebra-molas, meu sapato sai do pé e impede que eu pise a embreagem. Permaneço com o carro parado em ponto morto, tentando pisar no pedal, temendo que venha atrás algum veículo em velocidade alta. Com o carro parado, adormeço. Acordo sobressaltado, já conseguindo engatar a primeira, passo o quebra-molas, mas ao abrir os olhos, não enxergo nada à minha frente, cego pela visão não acomodada à luz. E é assim que desperto, sem enxergar.
II- Euros paraguaios
18/08/2012- Estava num supermercado onde tentava entrar uma multidão da qual eu fazia parte, pressionando uma corda que separava o espaço das gôndolas, cercada por seguranças que permitiam de pouco a pouco, a entrada de pequenos grupos. Foi o último a ser liberado por um deles num grupo, mas o lapso de tempo em que me demorei para entrar, fez com que outro pensasse que eu tinha invadido o espaço. Fiquei perplexo, indefeso por ser apontado injustamente como indisciplinado.
III- Despencar do alto. Adauto. Meu nome. Auto móvel.
Sonho com carros e precipícios. Despenco do alto do meu próprio nome próprio.
Acordo antes da queda, sobressaltado. Nunca
IV- Peixes
Um aquário. Nele havia ameaças e doenças - que eu observava sem nada fazer - estava turvo e vez por outra os habitantes se agitavam e descreviam movimentos repetitivos, alguns circulares, outros de um lado para o outro. Especialmente havia aquele em forma de enguia e com couro de tigre, dourado e negro, que abria a boca ameaçadoramente e que até poderia ter dentes.
Sabia que eu poderia instaurar uma certa ordem, uma mudança, dependia de mim: separar os sãos dos doentes para evitar que se contaminassem, salvar dos carnívoros e grandes os mansos e pequenos... Sentia-me impelido a isso, mas algo me impedia. Como essa sensação vaga de falta de urgência que me faz encarar a vida, como se eu tivesse tempo de sobre pela frente, e nada precisasse ser feito já. Eram muitos tipos diferentes misturados. Havia aquele que possivelmente me pertenceu na infância.
Quem os pusera ali? Os peixes têm a vida muito curta.
Não importa. Era meu o descuido.
I- Autos:
1) Dirijo sozinho em uma estrada escura e quase vazia. Ao desacelerar para passar um quebra-molas, meu sapato sai do pé e impede que eu pise a embreagem. Permaneço com o carro parado em ponto morto, tentando pisar no pedal, temendo que venha atrás algum veículo em velocidade alta. Com o carro parado, adormeço. Acordo sobressaltado, já conseguindo engatar a primeira, passo o quebra-molas, mas ao abrir os olhos, não enxergo nada à minha frente, cego pela visão não acomodada à luz. E é assim que desperto, sem enxergar.
II- Euros paraguaios
18/08/2012- Estava num supermercado onde tentava entrar uma multidão da qual eu fazia parte, pressionando uma corda que separava o espaço das gôndolas, cercada por seguranças que permitiam de pouco a pouco, a entrada de pequenos grupos. Foi o último a ser liberado por um deles num grupo, mas o lapso de tempo em que me demorei para entrar, fez com que outro pensasse que eu tinha invadido o espaço. Fiquei perplexo, indefeso por ser apontado injustamente como indisciplinado.
III- Despencar do alto. Adauto. Meu nome. Auto móvel.
Sonho com carros e precipícios. Despenco do alto do meu próprio nome próprio.
Acordo antes da queda, sobressaltado. Nunca
IV- Peixes
Um aquário. Nele havia ameaças e doenças - que eu observava sem nada fazer - estava turvo e vez por outra os habitantes se agitavam e descreviam movimentos repetitivos, alguns circulares, outros de um lado para o outro. Especialmente havia aquele em forma de enguia e com couro de tigre, dourado e negro, que abria a boca ameaçadoramente e que até poderia ter dentes.
Sabia que eu poderia instaurar uma certa ordem, uma mudança, dependia de mim: separar os sãos dos doentes para evitar que se contaminassem, salvar dos carnívoros e grandes os mansos e pequenos... Sentia-me impelido a isso, mas algo me impedia. Como essa sensação vaga de falta de urgência que me faz encarar a vida, como se eu tivesse tempo de sobre pela frente, e nada precisasse ser feito já. Eram muitos tipos diferentes misturados. Havia aquele que possivelmente me pertenceu na infância.
Quem os pusera ali? Os peixes têm a vida muito curta.
Não importa. Era meu o descuido.
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