LEITO DE ANJO

Atravessando uma praça
Pisei a cama de alguém.
Meus pés imediatamente
Tornaram-se puros
De compaixão condoída,
De repentina humanidade.

Em casa, na infância,
Pisaram meu leito limpo
Com pés descalços de rua.
Repreendi o descuidou
Mas a mãe ensinou:
- "Crianças têm pés de anjo".

Num repente, os lençois
Tornaram-se alvos;
Com a expiação do pecado
Dormi como os inocentes.

O leito desavisado;
A visita inacabada: surpresa;
Os pés, enormes e zombeteiros;
A sobra:  vestígio de homem.

As profundezas também produzem
Seus mensageiros alados.
Não serafins de asas brancas
Como as procissões de maio.

Tornei-me anjo.
Velando Paixões sem descanso;
Repousos com penas,
O Medonho dos sonhos.
Anuncio boa-nova, 
A redenção:

- Asas que não podem voar:
Praças aos que têm um leito,
Leitos aos que só têm praças.












Comentários

Postagens mais visitadas deste blog