Minha mãe disse-me que eu escrevesse. Um livro. Não sei se foi um pedido, se foi um conselho. Ou uma ordem. Disse-me assim: - Devias escrever um livro. Calei-me. Depois disse que sim, que algum dia.
Há palavras demais. Ver tanta coisa escrita me desespera. Tenho cheia a estante e não me cessam de chegar livros, textos, revistas, jornais. É uma asfixia de toda minha possibilidade de escrever. Não me lançaria a contribuir para esse excesso se não tivesse algo realmente relevante a dizer.
Entretanto, já o fiz. Acabo de fazê-lo. Se foi ordem, comecei a cumpri-la. E já me sinto culpado por ter fornecido à alguém um pouco mais de palavras com que intoxicar-se.
Talvez porque ela saiba que a mim importam coisas que importam a pouca gente.
A quem importa minha aflição sob os escombros daquele edifício monstruoso que erigiram sem minha permissão?
Há palavras demais. Ver tanta coisa escrita me desespera. Tenho cheia a estante e não me cessam de chegar livros, textos, revistas, jornais. É uma asfixia de toda minha possibilidade de escrever. Não me lançaria a contribuir para esse excesso se não tivesse algo realmente relevante a dizer.
Entretanto, já o fiz. Acabo de fazê-lo. Se foi ordem, comecei a cumpri-la. E já me sinto culpado por ter fornecido à alguém um pouco mais de palavras com que intoxicar-se.
Talvez porque ela saiba que a mim importam coisas que importam a pouca gente.
A quem importa minha aflição sob os escombros daquele edifício monstruoso que erigiram sem minha permissão?
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