Ela trouxe a Pietá

Ela foi à Itália
E trouxe uma Pietá.

Dentre tudo o que viu -
Davids imponentes,
Pinocchios, rosários,
Calendários de papas -
Foi o que ela trouxe.
Aquela imagem inclinada
em compaixão.
Obra dita por si.
Numa miniatura rudimentar.
Um pedaço de pedra branca
Sobre um pedestal negro
Com inscrição em latim.

Entretanto, como poderia a mulher
Se compadecer daquele
Que haveria de salvar sua alma?

Ela me trouxe a piedade
Daquela estrela-do-mar
Colhida triunfante de um fundo
De areia numa tarde de sol
Levada à casa como um troféu
Que no retorcer-se o cair da noite
Em remorsos me lembrou
Que ali havia uma vida.

Levou-me ao mar para devolvê-la
E consolava-me dizendo do mal
Que fazemos sem querer
Nossos próprios passos
Esmagavam formigas
Sem mesmo perceber.
Estava ao meu lado
Até que eu vencesse
O medo e a covardia.
Atirando-me à água fria.
A devolver a estrela
De onde foi tirada.

A salvação daquelas almas.










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